Protected by Copyscape É terminantemente proibido copiar os artigos deste blog. Leia a nossa Licença Internacional da Creative Commons. Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal, bem como na Lei 9610/98, que rege os Direitos Autorais no Brasil.

De Bowie a Stromae: O New Pop transgressor europeu!

O mundo evoluiu, a música se transformou, mas os ídolos continuam os mesmos: O novo POP é tão transgressor quanto antes, apenas mais eletrônico e um tanto mais arrojado. Ah, e fala francês!


David Bowie desafortunadamente se foi vitimado por um Câncer e por fim nos presenteou com o belo clip da música Lazarus, cunhado pela sua mais juvenil habilidade transgressora, que o conduziu até o fim da vida artística. Dono de imenso e respeitado legado musical, composto majoritariamente pelo seu autoral e empolgante Pop-rock - originalmente quase folk, e já nos idos dos anos 70, bastante inovador - mas que, por vezes, não deixou de representar até mesmo o aclamado rock progressivo de seu tempo, natural da cultura norte-europeia.


Aliás, de se notar que Bowie era um excêntrico e muito típico cidadão europeu, que por afinidade cultural se enredava de tudo um pouco, e que como todo europeu bem educado, britânico, filho de país desenvolvido, clamava por ser ouvido na sua voz mais profana e quase profética: sua música. Bowie misturou diversos elementos em quase toda a sua obra, e deixou sua originalidade estampar diversos de seus singles e conseguiu ser maior do que a sua imagem ousada e chamativa.


Mas o que David Bowie tem a ver com o músico Belga Stromae? Nada. Eu diria. Um é um britânico quase nórdico e o outro, um belga quase desengonçado. Ainda mais porquê, enquanto o primeiro canta na língua Pop universal, o segundo canta num idioma que se pode até dizer antimusical, o que evidentemente o coloca num patamar quase improvável de popularidade em nível mundial. Entretanto, a despeito das iniciais e avassaladoras diferenças, urge em sol maior o fato de que há no jovem e multitalentoso Stromae um quê quase que especial de Pop seletivo, temperado de ritmos latinos e influências originais, carregada de elementos alheios ao seu tempo e até ao seu próprio método musical, o que lhe confere leveza e complexidade nas medidas exatas, qualidades de que Bowie nunca abriu mão em seu repertório. Por esse motivo, embora não seja fácil encontrar uma linha melódica que caminhe por pontos comuns a ambos, ao menos nas esquisitices ( principalmente nas visuais), no fato de serem europeus e de tentarem praticar uma música qualificadíssima e transgressora e à frente das ideias médias de seu tempo, poderiam se dizer gêmeos bivitelinos.

É curioso, pois assim como Bowie, Stromae tem uma identidade visual extremada, sua performance fortemente teatral é um dos componentes importantes da sua música, mas o seu talento mais genuíno é o de recriar ideias musicais e de repaginar ritmos ultrapassados, ora unindo-os aos elementos eletrônicos de seu tempo, como no fantástico e ousado dance Alors on Dance, ora casando-os a elementos da música latina e de bordel, como no maravilhoso Tous le Memes, e do Hip-Hop, presente na incrível letra de Papaoutai,  hit pelo qual é mais conhecido. Por vezes, ainda é capaz de criações mirabolantes, como no inimitável hit Formidable, em que se faz parecer um versador bêbado de rua para destrinchar sobre as mazelas dos relacionamentos na sociedade moderna. Stromae é um músico denso, versátil e bastante inteligente, enorme poeta social e exímio compositor e nem chegamos a falar de sua estupenda voz rouca.


Pois é, não bastasse ser um New David Bowie Belga com raízes africanas familiares e influências europeias, Stromae é um cantor de encher os olhos. O belga usa muito bem seu timbre forte e grave e sabe colocar as notas certas para realçar o lindo rouco que algumas regiões vocais despertam na sua emissão: Você ouve, aquilo te soa muito bom, agrada muito e você nem sabe ao certo o porque.

Diria que é um privilégio viver esse tempo em que ainda podemos desfrutar da obra póstuma do David Bowie e, paralelamente, aproveitar o surgimento de um novo popstar de recursos modernos e arrojados e, praticamente inesgotáveis.

Viva a música e que o mundo cante em francês!