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Francisco do Mundo: novos motivos pra amar a Deus.

O primeiro Papa sul-americano não mora na residência papal, quebra protocolos seculares da Igreja Romana e para as oratórias mais importantes para oferecer ajuda a grávidas que desejam abortar e a homens doentes que peçam clemência. Esse Francisco não é de Assis, é do mundo: graças a Deus!


Ele não manda abominar o pecado e amar o pecador, ele abomina o pecado – especialmente o da arrogância – e ama o pecador.

Esse é Jorge Mario Bergoglio, um Francisco verdadeiro, de Assis mesmo. Homem maduro de exemplos fortes e que honra o fato de ser Argentino numa instituição de europeus, e o primeiro latino-americano do hemisfério sul a se consagrar chefe maior do estado do Vaticano, 266º Papa da Igreja Católica. Nada pode ser mais auspicioso.

Bergoglio é simples, de hábitos amigáveis e jeito muito afável, com a sua visão inovadora sobre a religiosidade e seu olhar sempre atento às questões importantes da humanidade vem conquistando o mundo. O Papa da complacência sempre tem uma palavra sábia em um momento caótico. Sempre sabe o que dizer, a quem dizer e o momento de dizer, e usa a sua influência magnânima da forma mais positiva  e menos conservadora que um homem poderoso de bem o pode fazer, a agregadora.

A Igreja Católica estava perdida, é bem verdade. Entregue a escândalos bizarros de pedofilia e corrupção em seus quadros, alguns envolviam até mesmo finanças, atentando contra o instituto mais básico do catolicismo: o voto de pobreza. De fato, não havia àquela altura, uma liderança carismática e envolvente a ponto de motivar amenidades e pequenas mudanças naturais inerentes do avanço social. Em um dado momento, circulou à boca pequena no Vaticano que Bento XVI renunciou ao seu Papado por conta desse sentimento de impotência generalizada, da falta de motivação para mudar o que achava que deveria ser mudado na Igreja. Francisco, por outro lado, tomou para si essa responsabilidade, consagrando-se uma liderança engendradora, capaz de olhar para fora e ver o mundo para o mundo, nem só para os católicos praticantes, nem muito menos, para os católicos graduados do Vaticano. Capaz de olhar para dentro e ver a doença que consome a sua instituição. Uma personalidade tão pura quanto fiel aos seus princípios. Eloquente, mas sucinto.


Esse é um homem que adota o nome e segue os princípios, que segue a escolha, antes de qualquer coisa.

No último Dia Internacional da Mulher, nosso Hermano deu mais uma demonstração da sua sabedoria ampla: "O Papa é um homem, o Papa também precisa do pensamento das mulheres. E também o Papa tem um coração que pode ter uma amizade saudável, santa com uma mulher. Mas as mulheres ainda são um pouco... Não bem consideradas, não totalmente? Ainda não entendemos o bem que uma mulher pode fazer na vida do padre e da Igreja, em um sentido de conselho, de ajuda, de saudável amizade.".

Indubitavelmente, a Igreja precisava de alguém que não apenas mandasse que fosse feito, que fizesse e mostrasse seu exemplo de ter feito. Um pregador moderno que acredita no que prega e faz com que as pessoas rezem pelo que têm de melhor dentro de si. Um pregador que não foge dos assuntos, é transparente e sempre diz o que pensa. Homem que conta suas parábolas de perto, como quando desce do seu papamóvel - que já não mais se trata do veículo blindado comum a todos os outros Papas - em plena carreata para conversar com seus fiéis, algo cada vez mais frequente.

O Francisco, líder da Igreja Romana, é aquele homem generoso que promete batizar o bebê de uma menina grávida que lhe pedira conselhos, por conta do namorado casado a querer deixar, em função do seu estado gravídico. Esse Francisco é, claramente, um inovador dotado de enorme senso de humildade. É relevante e revelador que em sua primeira Semana Santa como Papa, tenha escolhido um reformatório para ser cenário das celebrações da Quinta-feira Santa. Depois da missa na Basílica de São Pedro, o Pontífice lavou os pés de 12 jovens infratores do Instituto Penal para Menores Casal del Marmo AP.


E não para por aí. Seus exemplos são inúmeros e diários. Assim que se tornou Sumo pontífice já fez questão de abrir mão da suntuosa residência papal, adotada por todos os Papas desde 1903. Em suas viagens, faz questão de carregar suas malas pessoais, exemplo mínimo de quem se importa em ser gente ainda. E o que dizer da cena emblemática de Francisco parando uma oratória em uma Audiência Geral no Vaticano para abraçar um homem doente e desfigurado e consolá-lo. Lindo e poético! Esse é um papa que se encontra com outros líderes religiosos sem lhes querer roubar fiéis, um Papa que faz selfies, que é gente como a gente.

Esse é o Francisco que quer ser de Assis nos atos, não por pré-definição, que é do mundo no amor pelo mundo.

Um homem que nos faz acreditar que religiões ainda podem valer a pena e que deus mora em atitudes nobres e em corações puros e despretensiosos, que deus mora em pessoas, jamais em dogmas.

Em alguns anos, Francisco será lembrado como o Papa que mudou a Igreja. Aquele homem que é contra mandamentos, mas a favor de que sejamos bons por sermos bons.

Em muitos anos, quem sabe, seja o novo Francisco de Assis, só que agora, do mundo.