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Luta de Classes Vs Trabalho: Marx sabia, com ressalva!

As relações profissionais são perfeitos reflexos das relações humanas, semelhante ao que Marx previa quanto às relações sociais, com a ressalva do tempo.


No princípio havia apenas o homem e o homem. Ele lutava apenas para si e não, entre si: sua imensa e única batalha era travada pela sobrevivência – e há que dizer que muito mais árdua até do que nos dias atuais – consistia na capacidade intuitiva de caçar os animais aliada à habilidade motora de confeccionar ferramentas para sua subsistência. Há que se dizer que o homem primitivo não tinha as suas soluções prontas, precisava criá-las, e nesse sentido, precisava ser inegociavelmente criativo. E por outro lado, era dono de si, pois não havia classes sociais, quando muito, clãs.


Infelizmente, essa retórica demasiado poética para os dias de hoje só nos pode ser ponto de partida para qualquer conhecimento social se nos debruçarmos sobre a lógica tenaz que moldou a divisão de classes – as mesmas classes que Marx destrinchou tão bem em sua célebre obra acerca do Socialismo como sendo o estopim para o fim da humanidade. Eu diria que ele não mentiu, provavelmente, tenha aumentado um pouco.

De outro modo, tentando unir os pontos dessa tese, é verdade indubitável que o saber é a fonte concreta da evolução da humanidade, todavia, para o interesse social, foi o principal fomentador da formação de Classes, e portanto, é preciso observá-lo sob a égide da elitização humana: Os mesmos homens que acumularam experiências e transformaram, tanto o meio em que viveram quanto o meio em que os outros viveram, paradoxalmente destruíram o conceito de sociedade pelo que julgavam ser a sua salvação – é o caso exemplificativo dos iluministas, pensadores e filósofos com altíssimo poder persuasivo, mas que de certa forma, se valeram das mesmas ferramentas tanto para destituir as classes primitivas das relações medievais quanto para moldar as modernas classes sociais capitalistas.


Assim, é necessário, em contrapartida, entender que o saber é um sistema complexo que, na mesma medida em que alimenta a evolução do homem, o afasta do conceito social de comunidade. O conhecimento foi responsável por tirar das mãos dos homens o comando e por colocar nas mãos de um homem esse mesmo comando, ou seja, embora tenha acarretado em inúmeras descobertas que popularizaram o conforto, também destituiu do produtor do trabalho o seu resultado, tornando-o um dominado nato.  O conhecimento elegeu dominantes.

Precisamente, no que a luta de classes haveria de se relacionar com as relações de trabalho modernas? Na verdade, ela é o ponto de partida para a sociedade moderna e nesta está contida a relação de trabalho e evolutivamente, a forma com que o trabalhador lida com o seu trabalho no interesse intuitivo de manter as classes pela relação de subordinação inalterada.

Hoje, toda a psicologia social das empresas de grande porte está voltada para o profissional dinâmico, aquele que consegue agregar os conhecimentos de forma racional e funcional e ambiciona o poder. Este profissional que não se empenha pela empresa pelo simples propósito de existir, mas por creditar ao seu rendimento uma ascensão social improvável, embora possível. Muitas vezes a própria formalidade das relações de poder da empresa contribui para que esse profissional supere as expectativas do seu comando, plagiando a lógica da seleção natural de Darwin, só que na esfera social.


Assim, não é difícil compreender que a exclusão cultural - provocada pelo acúmulo de riquezas tanto quanto agente passivo da divisão de classes - contribuiu para a questão da empregabilidade de tal forma a ser um dos agentes apaziguadores do sistema de classes como o conhecemos, na medida em que permitiu ao subordinado a ambição de liderar, de ser a elite. Nesse sentido mais amplo, o advento moderno do estado do bem estar social idealizado nos EUA da década de 1930, acabou se tornando a mais forte arma ideológica de limitação do senso crítico do trabalhador, por sinalizar para a clara tentativa forjada da classe dominante de provocar a diminuição das discrepâncias sociais através do apadrinhamento do mais fraco.

As relações profissionais são perfeitos reflexos das relações humanas, semelhante ao que Marx previa quanto às relações sociais, com a ressalva do tempo.