Nos primeiros meses de 2016, 11,48% das
relações de amizade entre usuários brasileiros foram desfeitas no Facebook,
conforme dados da própria empresa.
Alarmante, se comparado à média
mundial de 0,52% ao ano do Facebook, por representar mais de 20 vezes a quebra de relações de amizade na
mídia social mais usada do mundo, em apenas um país, num determinado momento histórico.
Mais alarmante ainda se
considerarmos que o brasileiro é tão abertamente avesso à censura de qualquer
espécie - herança da ditadura que ele diz maldita - e tende a rechaçar manifestações preconceituosas de toda e qualquer espécie, em
qualquer meio social em que esteja inserido. E por outro lado, pura hipocrisia. A verdade é
que somos um povo extremamente pobre de espírito e de ideais. Somos claramente
um povo surpreendido por suas posições políticas a despeito da moralidade e
sempre agudas, no sentido da ferocidade com que as defendemos.
Na média, somos um ato falho.
Pois que agora tudo vira praça de
guerra com direito até a muro! Precisa disso?
Manifestantes de um lado e do
outro, contra e a favor do governo, se xingando e se batendo. Ora, a dialética
passa longe da falseada luta de classes. Dogmas são conclamados a defender
ideias: é a defesa da honra. Se trata tão somente da antiga honra coronelista,
tão exaustivamente contada nos brilhantes livros de Graciliano Ramos e Euclides
da Cunha e que agora ganha ares mal repaginados. Um quase neo-coronelismo praticado
pelos soldados. Não se refere mais a poder, mas a antipensamento.
Daí que é essa a grande sacada
dos direitistas e dos esquerdistas brasileiros: quanto menos gente capaz de
senso crítico, mais teremos a dimensão episódica e menos, a histórica. Veja-se
Marina Silva, ferrenha defensora do impeachment, fundadora da Rede
Sustentabilidade, e seu partido votou contra o impedimento. Isso é democracia ou antidemocracia? Quem não entende
isso, não pode sair às ruas. Porque está fadado a Boneco de Olinda – com todo o
respeito aos mamulengos, tão inteligentemente pilotados por gente de bem, que incita
a paz pela euforia do carnaval.
Enquanto haja quem se quebre pelo
Lula ou quem quebre o outro, pelo Aécio, seremos o negativo fotográfico da
democracia, destruindo as nossas relações pessoais por meras opiniões a
respeito de pessoas que nem nunca vimos, nem nunca veremos.
Não existe vencedor num
Impeachment. Não, não existe!
Definitivamente, acordemos para a
realidade que é: haja o que houver, o pior lado sempre é o vencedor quando o
assunto é política no Brasil.
Então, façamos o seguinte: sem
briga! Cada qual com o seu ponto de vista. Eu defendo o meu, você defende o
seu. Intelectuais jovens e brilhantes do Canal do Youtube Porta dos Fundos já
nos mostraram isso e, considerando que há uma enorme massa de pessoas que os
assistem, é plausível assumir como verdade que todos devam ter entendido o recado.
A democracia passa pela paz. Seja a sua ideia melhor que a minha e a maioria
vai acatá-la e eu, como um democrata que sou, aceitarei.
É por isso que aceitei o Lula.
É por isso que aceito a Dilma.
É por isso que estamos aqui e
você pode me ler.
Me assuma como burro. Me leia e
não me curta, ou me comente. Estamos aqui pra isso... exerça a sua democracia
assim. Pelo sim e pelo não. Sem briga física, apenas ideológica. Juraremos um
ao outro que não passará de um post que eu odeie ou que você adore, juraremos
que ninguém precisa tirar o outro do seu ciclo de amigos do Facebook.
E nesse pequeníssimo exemplo, construa
a sua microssociedade.
Sem votar no Tião do Táxi querendo
que ele trabalhe pelo UBER.
Os melhores países do mundo têm
cidadãos que fazem política em casa.
Os piores, fazem filhos!
