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The Walking Dead tem fim!?

O que fazer quando um dos seriados de maior sucesso na história da televisão mundial é ambientado em um mundo apocalíptico dotado de infinitas possibilidades e carregado de histórias repletas de ação e apelo dramático? O dilema dos criadores de The Walking Dead sobre a hora certa de saber parar.


Robert Kirkman é o nome principal por trás do fenômeno mundial de The Walking Dead.

Quando a AMC, respeitada emissora de televisão americana, resolveu adaptar para seriado seus brilhantes quadrinhos a respeito de um apocalipse zumbi inexorável, a primeira e inevitável especulação passou a ser sobre qual a explicação plausível e muito diferente poderia ser adotada com originalidade para que tamanha catástrofe pudesse ter acontecido em plena civilização tecnológica, próspera e rica, considerando a temática repetitiva e amplamente desgastada que esse tipo de história já possui. A verdade é que os produtores do seriado, Frank Darabont e Greg Nicotero, junto com Kirkman, tiraram não só um coelho da cartola, como a coelhada toda, e a solução encontrada foi a mais original possível.


Kirkman e sua trupe simplesmente deram de ombros para qualquer possível explicação, antes obrigatória, e fizeram um episódio piloto tão alucinante quanto o do premiadíssimo Breaking Bad, do cultuado Vince Gilligan, daqueles que você não consegue mais parar de ver o seriado. Rick Grimes, então protagonista, simplesmente acorda de um coma num hospital arruinado, em meio a uma cidade tomada por zumbis, e não se sabe nem como ele sobreviveu até aquele ponto. É a jogada de mestre! Ali começa a investida principal do seriado: o drama.

Sim. A melhor definição para The Walking Dead é a de que é um seriado dramático ambientado num mundo pós-apocalíptico. Por essa razão mesmo é que está em todas as mídias com enorme sucesso desde sempre, com índices de audiência que só vêm aumentando a cada ano e se consolidando como um dos principais programas de televisão do mundo. 


Na esteira desse sucesso estrondoso que existe desde 2003, data do início dos quadrinhos, e se transformou num fenômeno a partir de 2010, ano de adaptação oficial para a televisão, Jay Bonansinga, aclamado best-seller de terror, foi convidado para escrever a Trilogia da história do Governador Phillip, um dos maiores vilões do seriado. Mais uma vez, o resultado não poderia ser diferente: enorme sucesso. O lançamento foi em 2011, com mais dois livros nos anos seguintes e mais e mais fãs cooptados.

Agora, TWD, como conhecido pelos fãs, fechou a sua incrível sexta temporada com audiência crescente e inabalável, e recorde atrás de recorde, batendo picos de 14,63 milhões de expectadores nos EUA e média respeitabilíssima que ultrapassou em muito a casa dos 13 milhões, feito incomparável.

Presente em todas as mídias modernas, até agora mal se sabe o que ocorreu pelas bandas das américas para que os zumbis decadentes dominassem a terra do Tio Sam, mas é certo que com a fantástica riqueza dos personagens - que mais parecem todos protagonistas numa trama complexa com direito a episódios específicos e dramas comoventes - a teoria que explica o fim do mundo se tornou totalmente secundária. 

Além do mais, a forma como Nicotero vêm organizando as suas temporadas desde o terceiro ano da série, as compondo por dezesseis episódios, sempre divididos em dois blocos de oito, com os primeiros e últimos episódios da meia temporada e do final da temporada alucinantes, e recheadas por episódios de meio demasiado intrigantes, que preparam com maestria os grandes finais, criou uma identidade única para o seriado e ajuda a mantê-lo, difundindo seu enredo muito bem roteirizado, de tal modo que TWD acaba sempre atraindo mais fãs a cada novo Season Finale.

Objetivamente, tudo indica que isso deva continuar para mais adiante. A sexta temporada terminou com a entrada do que promete ser o vilão derradeiro, mais expressivo e mais difícil de combater, Negan. Um personagem denso, forte e muito bem construído e interpretado pelo ótimo Jeffrey Dean Morgan, com crueldade à flor da pele e que combina inteligência com desconstrução de imagem de forma inacreditável. Foi um tiro certeiro dos produtores. A expectativa criada com a ideia manifesta da perda de um personagem de peso pôs em cheque a capacidade dos telespectadores de perceberem quem é realmente secundário na trama e quem é imprescindível, sob todos os aspectos.


Negan promete dar uma sobrevida considerável ao fenômeno TWD, e para aqueles que achavam que o seriado se aproximava do fim, ficou a vontade inconfundível de saborear novos episódios da trama. Em uma ação conjunta digna dos grandes articuladores de Hollywood, Negan já foi introduzido nos quadrinhos com certa complexidade e Jay Bonansinga já foi convocado para escrever sua trilogia, que promete ser ainda melhor que a de Phillip. 

A única pena, realmente, é que seu Spin Off não lhe esteja à altura: por enquanto, Fear The Walking Dead parece mais uma abordagem repetitiva do mesmo tema, com atores não muito carismáticos e episódios que não empolgam. Mas ainda é cedo para conclusões precipitadas, considerando que os produtores e roteiristas prometem realizar um feito inédito na história mundial dos seriados: terminar ambos conjuntamente, unificando as tramas em algum determinado ponto, de modo que o segundo, FTWD, explique o original, TWD. Fica a expectativa.

De certo mesmo é que, a despeito das possibilidades clichês ao alcance, Greg e sua trupe sempre têm inventado maneiras inusitadas de tocar sua trama, e não seria de se espantar que The Walking Dead não tivesse um final convencional, do tipo que explica tudo e no qual o mocinho sempre vence.

Aliás, a expectativa maior é mesmo essa: de que o final seja, na verdade, um recomeço esplendoroso para a saga, sem clichês, e que supere o maior final de seriado de todos os tempos para a maioria dos fãs mais exigentes, o do Breaking Bad.

Mas que demore ainda! Ou, ao que leva a crer: nem aconteça!