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8 Perguntas infames a X, a letra polêmica do Alfabeto.



Ele nunca tem tempo para nada, mas conseguimos “guindá-lo” entre um compromisso e outro para uma entrevista imperdível ao Zumbido Coletivo, brindando os seis meses de blog.

Vamos a ela!

1 - Olá X, é um prazer tê-lo conosco. Vamos começar com polêmica: como você tem visto toda essa polêmica envolvendo as quebras de amizades nas redes sociais?


Olá Zumbido, primeiramente, muito obrigado pela oportunidade e parabéns pelo Blog. Bem, você sabe, sou avesso a redes sociais. Tenho pouquíssimos amigos, mas fiéis... e todos que sigo podem ter certeza de que, por algum aspecto ou por vários, são pessoas muito interessantes e importantes para mim.

Minha modestíssima opinião é de que a rede social moderna, idealizada pelo Mark Zuckerberg, foi feita sob outras premissas, com diversos outros propósitos. A mim me parece broxante discutir por meio dessas mídias infames, mas tenho curtido muito saber a opinião dos meus amigos e seguidores e me interessam os posts com fins sociais. Também me apetecem as tiradas bem humoradas. 

Por outro lado, não podemos esquecer de que há muitas pessoas que usam essas redes para ser nelas o que não são em realidade. Evidentemente, tenho amigos que discordam de mim redondamente, entretanto, é cabal que somos amigos e não, irmãos por telepatia ou afinidade de pensamento. Podemos e devemos ter coisas em comum, mas não que essas coisas sejam mais do que o prazer pela boa leitura, pela boa comida, por lutas, futebol ou pôquer... no mais, é ovo galado!

2 - X, me fale, qual a sua opinião sobre o Pastor Marco Feliciano?

Uau! Que picante!

Brincadeiras à parte, devemos separar bem as coisas. Em primeiro lugar, ninguém é obrigado a entender que o homossexualismo é natural ou ideal para a sociedade moderna. Esse é um ponto da nossa convivência que precisa ser rediscutido, até mesmo porque entendo ser imutável que as pessoas vão ter tanto as suas opiniões, quanto as suas orientações na vida, entre as quais, a orientação sexual é parte não só de gênero, como de cultura e, por vezes, até mesmo de fisiologia, biologia, etc, o que não significa, sobremaneira, que tenhamos que concordar com quaisquer dessas abordagens.

Enfim, o que me parece importantíssimo é ressaltar que não é necessário que o Marco Feliciano entenda que o homossexualismo é bom aos holofotes sociais. Diria, nesse sentido, que a sociedade moderna nos impõe uma ética social imponderável e da qual não há como abrirmos mão, e nela está embutida a inegociável necessidade de aceitação, nunca, no entanto, de compreensão. 

Portanto, necessário é que convivamos com todos de forma natural, que todos possam ser amigos entre si e felizes, independentemente de suas orientações de gênero. Isso vale para ambas as partes: vejo que os homossexuais também não entendam que há pessoas que não compartilham das mesmas motivações que as suas.

3 – Nesse mesmo contexto, casamento homossexual, você é a favor, X?

O Zumbido vai me socorrer nessa! Atente:

“Evidentemente, se fizermos uma reflexão e pensarmos com inteligência, Adão não era casado com Eva, e nem poderia, porque o matrimônio é posterior. Entretanto, considerando que Deus criou homem e mulher (concepção religiosa) para que dessem continuidade à sua espécie, possibilitando a apenas um deles que pudesse gerar outro a partir da combinação dos gêneros diferentes, há de nos parecer um tanto ilógico que duas pessoas do mesmo sexo possam continuar a nossa evolução, mas não só no sentido religioso estrito.  Enfim, o ponto em que é desejável se chegar é que todos hão de concordar que se num mundo colorido todos resolvessem se casar com pessoas do mesmo sexo, estaríamos decretando a extinção óbvia de nossa espécie. A nossa extinção. Portanto, há que se ponderar que o homossexualismo por motivo intimista deve ser livre de engrenagens filosóficas, no entanto, pensando no aspecto coletivo e no enorme número de pessoas que vivem essa forma de afeto, pode significar uma involução biológica optar por não nos procriarmos.

Paralelamente, quando falamos do direito que avança e se torna adequado à sociedade do seu tempo, não necessariamente estamos falando de justiça, e tem-se, nesse aspecto que, muito embora a célula familiar seja imponderável, assim como o direito que se molda com o bom costume, ela também se destrói por decisões equivocadas cujo momento possa classificar como as únicas adequadas. Além do que ambos, família e direito, são espelhos que refletem a inteligência de nosso tempo social.

E por outro lado, quem disse que só o casamento garante o direito pleno da convivência a dois? Ou o que se quer é apenas a instituição dessa nomenclatura para que o nicho social em que vivem os homossexuais possa se inserir no todo social? Nem um e nem outro. Ou melhor, um pouco de cada. Não podemos acreditar que pessoas querem se casar com outras do mesmo sexo por conta apenas dos direitos que o casamento civil lhes garantirá, pois, obviamente, um contrato entre partes seria até mais efetivo. De outro modo, imaginar que eles querem somente reconhecimento também não é pleno de definição. O que de fato os homossexuais querem é que as pessoas acreditem que eles são capazes de constituírem uma célula familiar e de socialmente geri-la, do mesmo modo que o fazem o pai e a mãe, reconhecidos os direitos sociais e os deveres. Justo? Sinceramente, não tenho elementos para dizer. E nem é desejável entrar nessa discussão em que só quem vive pode opinar. De certo que o que objetivamos é apenas que você se debruce a pensar no assunto por alguns minutos de leitura, porque do ponto de vista do direito, analisando em letra fria da lei, esse direito que se quer, já foi alcançado há tempos. Talvez, não da forma como requerido.”

Termino de forma muito sintética, explicando que a união legal entre pessoas de mesmo sexo prescinde de casamento da forma histórica como conhecemos, e para efeito da proteção do estado, como tal, e da vida em sociedade, o direito principal já foi alcançado. Talvez o que os homossexuais queiram seja mais a equiparação da união concedida nos termos legais ao casamento social do que propriamente, o casamento legal. 

4 - Qual a sua opinião sobre cotas raciais?

Veja Zumbido, cotas não são ruins num primeiro momento. Ou melhor, cotas só podem ser interessantes se vierem acompanhadas de todo um processo de amadurecimento da equiparação social e, portanto, só podem ser boas num primeiro momento mesmo. Pense: não existem cotas à revelia dos outros setores sociais. Não é algo que deva ser imposto. Então, pensando no aspecto coletivo, por que não debatermos isso numa esfera mais ampla, por exemplo, por meio de referendo ou plebicito?

Acho muito interessantes as iniciativas de inserção de negros em universidades, mas muito mais me apetece a ideia de que não precisemos nunca pensar na cor das pessoas que entram nas faculdades, assim como em qualquer outra característica física ou social. 

5 - X, movimento negro ou negro em movimento?

Zumbido, vou fazer menção a um texto maravilhoso seu sobre a polêmica envolvendo a não-indicação de atores negros ao Oscar desse ano. Tire suas conclusões, ok!?

“A verdade é que toda essa polêmica é mesmo muito sem fundamento. Se pensarmos que a possibilidade que um branco tem de ser indicado ao Oscar é diretamente proporcional ao percentual de atores brancos atuando na indústria em relação aos negros, e aos papéis mais relevantes que, em geral, eles têm, também em comparação aos negros. Portanto, é óbvio que o problema passa absurdamente longe de ser a não indicação, mas faz todo o sentido se a questão da oportunidade é lembrada. Uma coisa é pano de fundo para a outra e serve apenas para mascarar o problema maior. Obviamente, pessoas com menor criticidade, vão achar que se trata somente de racismo, mas as que entendem o mundo de forma global, vão perceber claramente que o racismo decorre da questão maior, que é a condição do negro americano, a condição do negro no mundo.

Chris lembrou bem em seu discurso: esse é o 88º Oscar. Será que em todas as outras 87 premiações anteriores houve negros indicados? Ora, obviamente, em muitas dessas premiações, não. Mas por que toda essa polêmica agora? Porque estamos num mundo rápido e global, em que opiniões politicamente corretas voam em milésimos de segundos, povoando redes sociais e sendo viralizadas instantaneamente por gente de todo o tipo, sem qualquer conteúdo ou expectativa. Se trata da questão do politicamente correto, o maldito politicamente correto. E por que cargas d’água então não se cria um prêmio só para negros? Melhor ator negro, melhor atriz negra e por aí vai... Se há essa diferenciação descabida entre homens e mulheres, por que não pode haver entre negros e brancos? A resposta é extremamente óbvia, mas não é tão simples explicá-la. Seria, se as pessoas conseguissem apenas pensar, ponderar.

Tudo reside no politicamente correto.”

Então, logicamente, prefiro negros em movimento, especialmente, quando esse movimento é coordenado com o movimento da sociedade geral.

6 - X, o que você acha do recente aumento concedido aos Servidores Públicos federais?

Assim está ficando muito fácil... você só me pergunta sobre coisas que já escreveu e, você sabe, sou muito seu fã: leio tudo. Vamos lá! Mais uma do blog:

“A questão é a seguinte: todo trabalhador tem o direito de ver seu salário ser compensado pelas perdas inflacionárias. A isso não chamamos nunca de aumento, mas sim, de correção salarial. Chamamos de reposição por perdas. Não há nada de ilegal ou de gatuno nesse pleito. Em sentido amplo, a enorme maioria dos pleitos por “aumentos salariais” que são divulgados nos veículos de comunicação como sendo malignos aos cofres públicos, são, em verdade estrita, pleitos por reposições salariais apenas, considerando a ausência maquiavélica e criminosa de uma data-base para que esse tipo de pedido humilhante sequer precise ser cogitado, quanto mais, levado a cabo por processos longos e cansativos, muitas vezes ignorados por governantes sem visão qualquer de governança. Trata-se, portanto, de crime da administração pública pelo não cumprimento de normas legais básicas, deliberada negligência do poder público vigente.

Derradeiramente, seja ou não ruim para o país que se precise dar uma correção enorme a servidores que não veem seus vencimentos repostos pelos índices inflacionários há longos anos, como era o caso dos servidores do judiciário brasileiro, que mesmo após receberem mais de 41% de reposição, parcelados até 2019, ao final, ainda se verão com seu poder de compra bastante reduzido, em muito mais de 20% com relação à última correção, datada de 2006, é de se observar com atenção que é muito desmotivador para a categoria, o que acaba sendo pior para o país. É mais ou menos como remédio amargo: ruim, mas cura!

Não é à toa a máxima de Rui Barbosa de que “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”. 

Diante de tudo, pensemos, pois, por que razão o nosso país não caminha e por que os serviços públicos são tão ruins, nos levando à lógica reversa do índice de desenvolvimento humano. De certo, tão certo quanto água é líquida, não é por causa dos processos seletivos para contratação de servidores públicos verdadeiros: Esses processos são amplos, difíceis e filtram com maestria os realmente melhores para cada cargo. A questão única é tão clara que se autodetermina, ela é a desmotivação em grau extremo, aliada à corrupção funesta e irrestrita nos órgãos de natureza estatal. A quantidade de cargos comissionados que são criados para se burlar a lei e colocar gente de toda espécie na posição de empregado público é tão absurda que o símbolo do infinito não a definiria.

Conclusivamente, para dar cabo a essa história de que servidor público não presta, olhemos para o nosso umbigo e ao levantarmos a cabeça para olhar para o mundo, veremos que não estamos sozinhos e que o que nos une é a vida em comunidade e para viver em comunidade, alguém tem que prestar os serviços de natureza estatal.”

Não tem conversa: são os servidores públicos que fazem qualquer país!

7 – X, o que você pensa de forma geral sobre educação?

Essa é tão importante que nem vou colocar entre aspas, considerando que penso da mesma exata forma que você, Zumbido.

Educação é a mola propulsora de qualquer civilização, em qualquer época. Normalmente, ela se traduz por escolhas coletivas muito melhores, o que reforça enormemente a política local. Governantes mais preparados, por sua vez, inspiram melhores soluções para os equipamentos urbanos e preparam investimentos de ponta em tecnologia e em serviços essenciais ao funcionamento da máquina estatal. Não à toa, todos os países com educação elevada estão entre os maiores IDH’s do mundo. Isso decorre essencialmente das melhores soluções coletivas que eles encontram para bem viverem em comunidade, além do domínio tecnológico que desenvolvem.

Vivemos hoje um paradoxo lamentável no Brasil: país corrupto precisa de pessoas pouco alfabetizadas, porque essas vão escolher pior seus governantes e isso vai perpetuá-los no poder. É uma situação complexa e dificílima de reverter, pois devemos escolher melhor nossos políticos, no entanto, sem termos discernimento médio adequado para tanto. Além do mais, quanto menos educação média um povo tem, mais ele tende a se agarrar em políticas populistas como solução para as suas mazelas fundamentais, principal recurso dos governos que desejam perpetuação.

Viver a era do florescimento cultural é demanda primordial para que a nossa qualidade média de vida no país tenha um ganho significativo nos próximos anos, porque dessa forma cobraremos mais as iniciativas educacionais e desenvolveremos em nós o instituto da crítica. Educação é uma bola de neve do bem: povo bem educado não é enganado, detém tecnologia de ponta e desenvolve soluções mais adequadas pra si. Povo educado rechaça ideias que parecem atraentes a curto prazo, tais como cotas, bolsas, preferências e similares, porque tem convicção de que essas são medidas paliativas demagogas e que nunca resolveram nada, em lugar nenhum do mundo, além de só partirem de governantes sem imaginação e com criatividade limitada, que só desejam mesmo a aprovação popular.

Nunca nos esqueçamos dos casos recentes do Japão e da Coréia do Sul, que deram saltos enormes em qualidade de vida e despontaram no cenário econômico e tecnológico mundial porque abdicaram de todas as outras coisas em detrimento do investimento maciço em educação. O Japão fez isso com sucesso após a segunda guerra, quando foi devastado, e a Coréia do Sul, em vinte e cinco anos se tornou potência na educação mundial.

Tendo sido a escrita o maior marco evolutivo da humanidade em todos os tempos, é de se deduzir a importância tremenda da educação na essência vitoriosa de um povo.

8 – X, o Lula é honesto?

Zumbido, poderia gastar todo meu arsenal de polêmica com essa resposta, mas receio que ela seja tão infame que me sinta constrangido por exercê-lo (o arsenal) em retórica tão pobre.

Resumidamente, o Lula não moraria na Dinamarca!

Mas se quer saber por que, acho que a resposta tem mais a ver com fato de ele ser um produto do Brasil, do que com o fato de ele ser quem ele é, propriamente dito. Então, se me entendeu, nenhum brasileiro normal moraria na Dinamarca, rs!

Te devolvo com um desafio: somos normais?


FIM!
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X, você continua um safado imperdível!