Protected by Copyscape É terminantemente proibido copiar os artigos deste blog. Leia a nossa Licença Internacional da Creative Commons. Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal, bem como na Lei 9610/98, que rege os Direitos Autorais no Brasil.

A nossa esperança coagulou: conclusões sobre o nosso metacosmo.

Quando todas as nossas expectativas por um mundo melhor se tornam meras falácias proferidas por gente sem fé na vida, nos resta abrir mão da fé espiritual que nos direciona a Deus e acreditar na lição de que só o amor à existência é capaz de nos dar sobrevida.


A nossa esperança coagulou.

Imagine você se fôssemos meras – mas importantíssimas - plaquetas e que habitássemos pequeníssimos, finíssimos vasos sanguíneos de um qualquer corpo fantástico.

Então, esse agora é o nosso mundo – a Terra, tal qual a conhecemos – nada além do que um subsistema cardiovascular oriundo de um outro corpo imenso ao qual chamamos comumente Sistema Solar, e cujo cérebro, obviamente, dentro do que imaginamos, é o Sol. Agora, habitamos esse corpo, que vive na comunidade Via Láctea com outros alguns bilhões de corpos semelhantes. E nós nos propusemos a ser o seu coração.

Não pensamos, por óbvio. Inadvertidamente, à essa altura, somos seres que correm em meio à fantástica seiva cósmica da vida, dotados por ora tão somente de instinto. Aqui estamos, no sangue da existência de um órgão cardíaco (Terra), com outros sete bilhões de seres (plaquetas), e circulamos em meio a incontáveis outros corpos, perdidos no espaço e como disse Proust de uma outra forma bem mais equilibrada: claramente, não se percebe, mas esse mundo circula (gira). E gira com os nossos acontecimentos... nós, acontecendo e fazendo acontecer.

A esse ponto talvez tudo haja de te parecer muito complexo, e quem sabe te pressintas tremendamente inútil ou absurdamente estranho. Inevitavelmente, no entanto, se você não pode entender a intangibilidade da sua importância, percorrendo capilares, é porque não alcança o fenômeno estupendo da coagulação sanguínea da qual participas: que pode levar à morte, mas que também te insere vida, infere impressionante existência. Portanto, somos singularmente úteis e peculiarmente indispensáveis, na imponderável medida estratosférica da nossa gentil pequenez.

E já que vida se baseia em expectativa e esperança, tomemos como base que vida é sempre em frente, como disse um dia Renato Russo. Nós, lactobacilos (não te percas) da existência, podemos e devemos modificar o nano-ambiente cósmico ao qual pertencemos em tanta medida de grandiosidade quanto os verdadeiros lactobacilos o fazem, em outra escala, também maravilhosa, no nosso intestino.

Tantas metáforas...

Algures, em meio a tantas divagações, considerando a nossa ultra-mínima existência não dotada de inteligência, nós, seres que como o Dr. Enéias Carneiro disse numa de suas mais célebres palestras a médicos, em 1998, somos mirabolantemente complexos para acreditarmos que numa combinação com possibilidade milhares de vezes inferior àquela de se ganhar na mega-sena para dar certo, conseguimos existir perfeitos, não temos como não acreditar na providência divina, seja de que forma se entenda esse “divino”.

Já aí é que entra Deus.

Do ponto de vista da adoração, imagine-se ateu. Do ponto de vista da comprovação, não seja nunca um agnóstico.

Acredite piamente que exista um Deus: claro que existe! Não há que conseguir vislumbrar que uma “pessoa” dotada de fantásticos, infinitos poderes tenha criado tudo e como alguém inteligente, receia-se que não possa haver personificação para essa força. Defini-lo, já propriamente o tornaria inferior. De certo que as pessoas não entendem isso e por essa mesma razão, matam ou morrem em nome de uma personalidade, muito antes de uma divindade e muito diferente de um ser - ou o que quer que tenha sido - que tenha criado tudo como conhecemos.

Deus não pode ser uma opinião. Um ponto de vista sobre algo que se interpreta. Porque como você teve oportunidade de ler no início desse texto, ante às deslumbradas e absurdas divagações sobre o que seria o cosmo, Deus não cabe em tão abstratas definições, para tão incomensuráveis possibilidades de dar errado que deram certo.

Nossa esperança coagulou, sim... tarde demais.

Porque resolvemos que Deus cabe numa discussão em três atos: os que acreditam, de várias formas, inúmeras; os que não acreditam nele personificado e negam a sua existência enquanto um ser; e os que não podem comprová-lo e por isso, nem acreditam e nem negam.

Para você que é complexamente simples, fique feliz em saber que há pouco alguém apresentou uma tese diferente, dizendo que poderíamos estar vivendo numa espécie de “matrix” controlada por nós mesmos, em algum momento futuro da nossa existência, bem mais sábia que a que imaginamos estar vivendo. Fique realmente feliz que alguém ainda saia do lugar-comum. Mas fique tão mais feliz quando as pessoas pararem de tentar entender os porquês de estarmos aqui e sejam muito mais simplesmente boas.

Pensemos nos cães, as melhores almas que conhecemos. Cães são apenas bons. Eles te amam sem querer nada em troca, absolutamente. Evidentemente, não sabem que Deus existe e nem ponderam sobre como ele é ou sobre como quem seja, mas por instinto natural, conseguem realizar a sua obra numa espetacular congregação da matéria e do espírito.

Podemos ser cães. Devemos.

Se apenas corrermos na seiva cósmica, se apenas fizermos isso... sempre em frente, deixando o mundo girar, em um espetacular e espetaculoso se-deixar-ser, seremos puros e livres de definições. Seremos, sim, o componente do sangue da existência que não se deixa coagular, cães-de-alma no sangue: cães-plaquetas servindo a quem amamos cegamente, o coração-terra que habitamos.

É que o mundo é melhor sem definições. É melhor sem gente.

A esperança coagulou.

Fé no amor ao ser, não em Deus!