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Metaescrita: conclusões sobre inspiração e produção de textos...

Sua cabeça é uma sala vazia: você põe móveis aleatórios só para que ela seja preenchida? Não. Escrever é tirar de si esses móveis que você preencheu com os seus sonhos e materializá-los em texto... só que não!


O que você leu hoje?

Talvez tenha aberto o seu navegador WEB em alguma página de notícias... Ou quem sabe, tenha somente se aventurado por ler reflexões de anônimos talentosos em sites que promovem escritores desconhecidos, como a OBVIOUS faz e muito bem, diga-se de passagem. Entretanto, não me refiro ao tipo de leitura com a qual você dispendeu seu precioso tempo ultimamente, mas sim, com a qualidade do que te tem sido oferecido por aí.

Então vá lá, faça uma rápida batida de olhos pela página principal de algum site de cultura colaborativa de que você goste muito e frequente não raro para leitura de jovens promessas da escrita. Agora, identifique quantos desses, nessa página inicial, são escritores de verdade, falo daqueles que têm realmente uma proposta literária clara e investem nela sem a preocupação da vendagem, e não, daqueles muitos que são apenas propagandistas difusores da escrita na sua amplitude comercial.

Naturalmente, você deverá se espantar. Porque, se tudo estiver correndo bem com a sua capacidade de discernimento, perceberá claramente que muitos títulos e imagens são escandalosos chamarizes para leituras que deveriam ser reflexivas, mas que não têm qualquer tipo de conteúdo para além da técnica de concretizarem a visita do leitor ao texto a que ele inicialmente direcionou o seu olhar. Ou seja, trocando em muito miúdos: textos que foram feitos sem vicejo, que nasceram tão somente da ideia precípua de instigar pessoas à sua visita e não se propõem a mais do que isso.

Mal definindo: propagandas escritas de si mesmos!

Por fim, dado por lido, você haverá de pensar: poxa, do que mesmo ele está falando? O que mesmo ele quer dizer?


É mais ou menos como ter uma chula opinião sobre o aumento do preço do pão e escrever um texto com mais de mil palavras para falar mais do mesmo sobre o aumento do preço da farinha, que quando muito, caberia em uma frase: estocagem deficitária aliada ao transporte com vários intermediários. Enfim, compreende-se ser vergonhosa para a arte das letras tanto a falta de tema quanto a repetição de coisas iguais ditas de formas diferentes pelas mesmas pessoas, às vezes, muitas vezes, pela mesma pessoa.

Em tempo, te proponho um salutar desafio: identifique nessas páginas que você costuma visitar quais os escritores mais lidos. Depois, cuidadosamente, eleja um deles, e procure ler seus últimos dez textos. Por favor, faça isso: pois se você não elegeu por acaso um gênio, tenho certeza de que você, muito dificilmente, não vá encontrar um padrão quase bizarro de expressão, especialmente se é alguém que escreve religiosamente, em um ritmo que envolve produção, algo quase incompatível com a inspiração de um artista, exceto quando um gênio. Verifique, por exemplo: quantidade de palavras, inflexões e conectivos, quantidade de parágrafos, maneirismos e temas surpreendentemente quase idênticos.

Sabe por quê? Reflita.

Porque esse “escritor” que você acabou de ler, muito provavelmente, encara a escrita como uma ciência exata na qual pode ser aplicado o fordismo literário. Talvez, com enorme chance de isso ser verdade, esse alguém que escreve pense mesmo que encontrou um modelo, similar àqueles a que se propõem os propagandistas televisivos e que você sempre cai. Ele aplica escandalosamente essa forma de escrever a tudo que faz e o faz tecnicamente, o que, claro, não seria ruim se os seus textos não fossem tão repetitivos, tão voltados à linha de produção e tão milimetricamente adequados ao que chama mais o leitor à sua leitura puramente despercebida.


Textos sem qualquer expressão para além da reflexão sentimental de algo são extremamente mais eficientes e quando aliados às técnicas padrão de caça ao leitor, como títulos e imagens com apelo - o que novamente digo que não seja ruim, se o conteúdo é decente – são convites irrecusáveis à leitura e ao comentário, que na enorme quantidade de vezes, é também padrão.

Viramos robôs que leem as mesmas coisas quase sempre e comentam da mesma forma, quase sempre também, criando em nós mesmos um padrão sociopático de abstração paradoxal do anticonteúdo contraproducente: isso mesmo! Meramente, sem nexo.

Desconfie daqueles que produzem textos, em especial, se detêm um padrão de escrita sem conteúdo e uma frequência abissal, porque escrever é uma arte e como toda arte, tem técnica, sim, claro que tem... Mas tem também, sobretudo, inspiração... E inspiração não tem frequência certa, não é algo que você diz pra si que tenha que ser... Então, se esse tipo de texto que você lê não tem um conteúdo de cunho informativo ou de interesse técnico, desconfie.

Concluindo, apenas tente ver dentro de você se não anda lendo demais coisas que apenas te atraem por um modus operandi.

Observe como as colunas de Jornais e Revistas que primam pela qualidade são mais esporádicas. Isso se deve ao fato de que quantidade em escrita passa longe de ser qualidade. Stephen King, enquanto escrevia os seus livros, se tornou um às dos contos de terror. Quando passou a contratar pessoas para desenvolverem suas ideias, com o objetivo de atender às demandas do mercado literário (produção), se tornou apenas mediano.


Eu falo por mim e pelas minhas impressões... E essas são as modestas impressões de um escritor de alma, que entrega seu espírito ao que escreve e prima pela qualidade, que revisa exaustivamente o que escreve para entregar o melhor... Que erra, claro... E que não raro, dedica o seu tempo inadequadamente a escrever sobre a escrita.

Alguém... Que ainda escreve a caneta e que inadvertidamente têm lapsos de inspiração...

Como esse: de que um dia você vai me ler porque eu escrevi bem, tão somente.