Quem te segue? Quem te curte? A difícil tarefa de relacionar a amizade nas redes sociais com o incentivo que as pessoas estão prontas a te oferecer.
Quantos amigos você têm?
Eu te proponho o desafio de contar em mais de uma
mão! Você não consegue. Ninguém consegue.
Agora, se te pergunto: quantas pessoas você
conhece?
É bem provável que você deva conhecer para mais de
vinte ou trinta pessoas que possa, com muito esforço, chamar de colegas. Algumas
outras tantas hão de fazer parte indiretamente de seus ciclos sociais. Outras você
já conheceu e pode ou não ter sido próximo em algum momento da sua vida. Várias
convivem com você em nichos sociais que você certamente frequenta, mas você
sequer fala ou falou com elas em um dado momento. Enfim, muitas você só conhece
mesmo de vista, dos cursos que faz ou dos bares da vida.
Evidentemente, o ponto que é pacífico nessa
introdução é o de que todas as assertivas acima são demasiado válidas e quando
muito, usando da sua complexa filantropia, você conseguiria encher suas redes
sociais com cerca de cem pessoas. Mas isso se você for bastante popular. Ou um pouco
mais, se for um profissional que lida com multidões... professores, por exemplo:
esses que são bem mais conhecidos pelas pessoas do que as conhecem. E eu sei
bem o que é isso porque já fui professor.
Agora: quantas pessoas hão nas suas redes sociais?
Conheço pessoas que têm mais de mil amigos. E não
estou falando de seguidores, ok!? Seguidores são aqueles que seguem pessoas
famosas, mas que não são amigos dessa pessoa e que essa pessoa famosa sequer conhece. Eles estão lá porque admiram algo que esse famoso faça... gostam do
seu trabalho, de tendências, etc, etc.
Me refiro a amigos.
O Google fez uma experiência recente na Irlanda,
país que mais cresceu no mundo em 2015, e obteve números alarmantes: de cada dez
pessoas entrevistadas pela empresa, oito não souberam dizer quem eram mais de 90%
das pessoas que integravam suas redes sociais. Esses números, de certo, revelam
uma doença social e uma tendência esquizofrênica por popularidade.
Subitamente, pessoas querem ser populares a qualquer custo e o
que elas podem fazer para isso, considerando que quase a totalidade dos reles
mortais não tem nenhuma habilidade artística digna, é ter inúmeros amigos. Ser popular por via transversa. É
como diz aquela canção: “eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte
poder cantar...”. Só que a canção é metafórica e a vida real, não.
Agora, quantas curtidas você dá por dia em coisas
que não te dizem o mínimo respeito?
Aposto que muitas das pessoas que conhecemos curtem
coisas que elas nem sabem do que se tratam. Experiência semelhante foi feita
pelo Google, em continuidade à anterior, na qual várias pessoas que integravam
diferentes grupos foram selecionadas para postarem coisas que eram tidas como
virais e que por muitas vezes eram somente capas que direcionavam a sites sem
conteúdo, ao passo que outras postariam coisas sem qualquer potencial viral nas
mesmas mídias e grupos. O resultado foi que as postagens virais, em especial as
sem conteúdo, tiveram alarmantes 97% mais curtidas que as postagens de conteúdo
e 48,5% mais compartilhamentos. Algumas pessoas reagiram nas postagens a coisas
que não existiam, não simplesmente curtiram, mas tomaram para si reações a
coisas imaginárias, do que se deduz que a absurda maioria das curtidas que você
leva em redes sociais foi dada por pessoas que sequer leram sobre o que se
tratava sua postagem.
E aonde queremos chegar com isso!?
As postagens que são realizadas por Blogs como o
Kibe-Loco e o Não-salvo, só para citar dois exemplos famosíssimos de sites
virais, obedecem a padrões específicos de conteúdo (ou não-conteúdo) que
impulsionam suas curtidas e compartilhamentos, transformando-os em sites
tremendamente acessados, mas sem qualquer mínimo conteúdo para a além do
visual.
Essas técnicas são provadas cientificamente.
Ao passo que há sites com conteúdo muito legal por
aí que possivelmente nunca foram vistos.
Você sabia que o índice de curtidas e
compartilhamentos aos trabalhos de pessoas famosas na WEB por seus parentes ou
amigos e pessoas próximas é quase perto de zero?
Pois então, pego como exemplo o Zumbido Coletivo.
Nas minhas redes sociais só tenho amigos muito próximos (estou naquela parcela
mínima da população que têm pouquíssimos amigos) e entre os meus
seguidores, não lembro de ter visto ninguém que eu conheça diretamente. Ou
seja, pessoas que seguem os meus trabalhos artísticos em essência não me
conhecem, ao passo que as pessoas que me conhecem sequer sabem que eu tenho
esses trabalhos paralelos. Algumas, com muita proximidade, até acompanham o
blog e o trabalho literário, mas nunca se conectaram a mim por meio das redes
sociais. É um fenômeno quase cômico, porque resulta em pouquíssimas curtidas
para acessos e tempos de permanência em meus sites ótimos.
Agora, pense: por que razão você curte o trabalho
de estranhos, muitas vezes sem a menor qualidade, e deixa de curtir e
compartilhar, e mais, incentivar até mesmo, o trabalho de pessoas próximas a
você!? Que tipo de pensamento pode mover as pessoas a agirem assim?
Particularmente, aqueles que lerem esse texto
chegarão à conclusão de que eu faço parte da corrente contrária: eu prefiro
curtir e incentivar tudo que os meus amigos fazem, sempre!
Afinal, de que somos feitos, senão de incentivo!
Então, incentivemos quem vale a pena e lembrem-se: "Somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter...".
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